Caminhar todos os dias: quanto conta e quanto é número redondo
Os dez mil passos nasceram de uma campanha comercial dos anos sessenta. O que a investigação mostra é menos redondo e mais animador.
Sofia Albergaria · Coimbra · 15 de setembro de 2026

O número dos dez mil passos não saiu de um estudo. Saiu do nome de um pedómetro japonês lançado nos anos sessenta, cujo nome comercial significava, literalmente, "medidor de dez mil passos". Era um número redondo, fácil de dizer, e ficou.
O que se sabe hoje
A investigação dos últimos anos encontra benefício bastante antes dos dez mil, com ganhos claros já em contagens diárias na ordem dos quatro a cinco mil em pessoas pouco ativas, e uma curva que continua a melhorar mas com ganhos cada vez menores à medida que se sobe. Ou seja: sair de dois mil para cinco mil vale muito mais do que ir de nove mil para dez mil.
Isto é uma boa notícia prática. Quem tem uma vida sentada não precisa de chegar a um número intimidante para mudar alguma coisa; precisa de sair do fundo da escala.
A intensidade conta separadamente
Dez mil passos arrastados e sete mil em ritmo a que já custa falar em frases longas não produzem o mesmo efeito. A cadência — passos por minuto — aparece nos estudos como fator próprio, independente do total. Uma parte do percurso em ritmo mais vivo, e não o percurso todo mais longo, é a alteração mais rentável para quem já caminha.
O que o contador do telemóvel erra
Contar passos pelo telemóvel no bolso subestima quem empurra um carrinho ou carrega sacos, e sobrestima movimento de braço ao volante ou a lavar louça. Serve para comparar a semana com a semana anterior, no mesmo aparelho e no mesmo bolso. Não serve para comparar com o número de outra pessoa, nem com o limiar de um estudo.
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